Peripécias Brasileiras

Nenhum jornalista brasileiro realizou uma entrevista exclusiva com Elvis. Nenhum artista ou músico brasileiro teve uma composição gravada por ele. Nenhuma cantora brasileira se apresentou no mesmo programa de televisão e no mesmo dia que o Rei do Rock. Nenhum médico brasileiro o examinou. Você sabia que todas essas afirmações estão erradas?

Fonte: José Jonas Almeida | Revista Leituras da História Ed. 111 | Adaptação web: Tayla Carolina

A relação de Elvis Presley com o Brasil foi marcada por muitos personagens.  Entre outros, em 1956, ele se encontrou com uma jornalista brasileira, logo no seu primeiro ano de sucesso. O nome dela era Dulce Damasceno de Brito (1926-2008), correspondente dos Diários Associados e da revista O Cruzeiro, em Hollywood. Dulce também fez entrevistas com astros da época de ouro do cinema norte-americano: Marlon Brando, Marylin Monroe, John Wayne, Burt Lancaster, Rock Hudson, Marlene Dietrich, Clark Gable, Bete Davis, Gregory Peck, Charlton Heston, Orson Welles… Seria mais fácil citar quem ela não entrevistou. Ah! E Carmen Miranda? Dulce também esteve na casa dela na mesma noite em que a cantora faleceu. E, com um detalhe, a máquina fotográfica foi testemunha de tudo! Portanto, com Elvis Presley não foi diferente.

Aquele que já estava sendo chamado de “O Rei do Rock’n Roll” debutava no cinema em uma produção da 20th. Century Fox, Ama-me com Ternura (Love Me Tender), cujo título original seria The Reno Brothers. Na verdade, uma improvisação conseguida pelo seu ardiloso empresário, o Coronel Tom Parker (nos EUA também existiam esses “coronéis civis”…), para encaixar o seu pupilo em Hollywood, em uma produção que já estava programada – um western, quase um filme B. Não era o que o próprio Elvis desejava, porque, pouco antes, ele mesmo havia anunciado que faria a sua estreia em uma grande produção ao lado da renomada  atriz Katherine Hepburn. O que acabou não acontecendo.

Naquela época, Elvis imaginava que o rock era uma moda passageira e que o seu futuro seria no cinema. Mas, como todos sabem, ele não se destacou no quesito interpretação, porém também não fez feio para um rapaz de origem pobre, do atrasado meio-oeste americano, mais precisamente o Tennessee, um estado conservador, sem nenhuma experiência de interpretação, nem mesmo no teatro da escola. Foram 30 filmes no total e dois documentários de seus shows, que devem ser vistos como se fizessem parte de um seriado, pois, em termos práticos, ele interpretava um só personagem: Elvis Presley.

Em algumas dessas produções, os números musicais foram mais bem montados ou, então, Elvis encontrou uma parceira à sua altura, que sabia cantar e dançar. Foi exatamente o caso da sueca Ann-Margret, com quem contracenou em Viva Las Vegas (1963). Aliás, nos sets de filmagens aconteceram coisas mais sérias entre os dois, do que decorar o roteiro fraco e de poucas falas…

 

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A INTRÉPIDA DULCE

Nada foi dito de “consistente” a respeito do astro na entrevista, como a própria jornalista relatou em seu livro Hollywood, Nua e Crua, no qual fez um balanço dos seus anos como correspondente na Meca do cinema. Dulce apenas achou Elvis muito tímido, pois respondia às perguntas com poucas palavras, mas também teve a impressão de ele ser uma pessoa apegada aos valores religiosos e à família. Ao mesmo tempo, o cantor (e também ator…) mostrou-se muito educado e despediu-se dela com um “até breve”.

Muitos poderão até dizer que a jornalista não soube conduzir a entrevista. Mas, em toda a sua carreira, Elvis não deu sequer uma única declaração à imprensa, que devesse ser lembrada como algo memorável. Ele era evasivo e o seu empresário, o Coronel Tom Parker, tem muito a ver com isso. Sempre por perto, ele tinha receio de que o inexperiente garoto se envolvesse em temas polêmicos e sempre cortava o jornalista que ameaçasse entrar nessas searas. Elvis, por exemplo, jamais criticou o governo norte-americano por tê-lo convocado para o Exército no auge de sua carreira, retirando-o do circuito artístico por quase dois anos! Na ocasião, muitos chegaram a prever o fim de sua trajetória.

Pois bem, menos de um ano depois de ter concedido a entrevista à Dulce, Elvis vivia o auge do sucesso e ia para a sua terceira participação em uma das principais atrações da televisão dos Estados Unidos: o Toast of the Town. O programa era comandado por um dos mais conhecidos apresentadores da história da televisão americana, Ed Sullivan, e levado ao ar pela rede CBS, a partir de Nova Iorque.

O ENCONTRO COM LENY

Em 6 de janeiro de 1957, noite em que ia se apresentar, Elvis deparou-se com uma cantora brasileira, nascida em Santos, São Paulo, nos bastidores do programa: Hilda Campos Soares da Silva, cujo nome artístico era Leny Eversong, que na época iniciava a sua carreira nos Estados Unidos. Eversong, desde criança, tinha facilidade para cantar em inglês, embora não dominasse bem a língua. A sua interpretação era praticamente feita de ouvido e atraia a atenção por sua voz grave e forte. Especialista em jazz, fox e músicas latino-americana, também gravou Música Popular Brasileira (MPB), incluindo Lupicínio Rodrigues, Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Francis Hime, entre outros – material disponível no YouTube.

No programa, ela interpretou duas canções: Cumbanchero e Jezebel. Uma enorme responsabilidade, pois suas participações eram intercaladas com as de Elvis Presley. Muito bem recebida na ocasião, sua presença ajudou a abrir as portas do show business, inclusive em Las Vegas, onde a cantora fez várias temporadas no final dos anos de 1950 e início da década seguinte. Nessa época, com certeza, foi a única brasileira a fazer shows por lá. Além desse roteiro invejável para qualquer outro artista, Eversong fez gravações em estúdio, acompanhada pela orquestra do maestro, arranjador e compositor Neal Hefti, autor do conhecidíssimo tema de abertura do seriado Batman, da década de 1960. Ela também se apresentou na Argentina, Venezuela, Cuba, México e França.

Apesar do sucesso, era sempre questionada pelos críticos brasileiros pelo fato de não interpretar as nossas músicas quando se apresentava nos EUA. Um dos argumentos da cantora era de que os músicos locais não tinham muita familiaridade com o samba, pois estavam mais habituados aos ritmos caribenhos, como a rumba e o mambo. Logo, Eversong temia inserir uma música brasileira que, na apresentação, acabasse dando a impressão de ser outro ritmo ou um samba com batida (percussão) de rumba. Infelizmente a carreira de Eversong foi interrompida no início da década de 1970, quando uma tragédia pessoal a deixou profundamente abatida: em 1973, o marido dela saiu para comprar cigarros, nunca mais apareceu e o caso jamais foi esclarecido!

Posteriormente, a cantora ainda realizou aparições esporádicas em programas de televisão. No entanto, faleceu completamente esquecida em 1984, vítima de diabetes. Mais recentemente, no início desse século, Eversong começou a ter a sua obra resgatada, sobretudo por meio do trabalho do pesquisador da MPB Rodrigo Faour. De qualquer forma, o nome dela está registrado no show business e, felizmente, a apresentação que realizou no programa de Ed Sullivan também pode ser vista no Youtube, da mesma forma que as sete canções interpretadas
por Elvis Presley, entre elas Hound Dog, Love Me Tender, Heartbreak Hotel e Don’t Be Cruel.

Curiosamente foi nessa mesma apresentação que Sullivan teria insistido para que Elvis fosse focalizado da cintura para cima, pois os seus rebolados poderiam chocar a audiência do programa. Ao final do programa, o famoso apresentador deu uma espécie de bênção ao cantor, afirmando que ele era um “rapaz bom e decente”, muito embora não pensasse isso alguns meses antes, o que significava que Elvis Presley podia adentrar, tranquilamente, nas casas das famílias norte-americanas com um grau menor de rebeldia!

 

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A VEZ DA MPB NOS EUA

Na noite de 21 de novembro de 1962, vários músicos brasileiros participaram de um concerto no Carnegie Hall, em Nova Iorque. Tom Jobim, Carlos Lyra, Agostinho dos Santos, Sergio Mendes, entre outros, estavam no espetáculo histórico que apresentou ao mundo a Bossa Nova. O encontro também contou com a presença de Luiz Floriano Bonfá. Músico, compositor e arranjador, autor de clássicos como Manhã de Carnaval (uma das músicas brasileiras mais gravadas no mundo) e um dos expoentes desse movimento musical, Bonfá foi responsável por um feito
único entre os brasileiros: ter uma composição gravada por Elvis, caso de Almost in Love, que fez parte da trilha sonora do filme Viva um Pouquinho, Ame um Pouquinho (Live a Little, Love a Little, de 1968). A película foi muito lembrada no ano de 2002, quando uma de suas canções, A Little Less Conversation teve um remix, que se tornou um top hit, 25 anos depois da morte de Elvis. Aliás, as duas gravações foram lançadas em um compacto simples (disco de vinil com uma canção de cada lado), no mesmo ano da gravação, em 1968.

Além dessa canção, existe outra gravação de Elvis intitulada Bossa Nova Baby (1963), que poderia remeter a uma influência do novo movimento musical. Esqueçam! A influência restringe-se somente ao título. Contudo, em um dos números musicais do filme Carrossel de Emoções (Roustabout, 1964), quando Elvis interpreta a canção Big Love Big Heartache, notamos no cenário de fundo vários músicos sentados em banquinhos, com um violão na mão, bem ao estilo João Gilberto. Seria uma influência “bossanovista”?

A PARTICIPAÇÃO DE BONFÁ

A história referente ao suposto episódio ainda é muito controversa e, infelizmente, o compositor faleceu em 2001, sem esclarecer bem as circunstâncias que levaram Elvis a escolher uma de suas músicas para o já citado filme. Aliás, a confusão sobre isso é tão grande, que muitos sites da internet creditam a letra de Almost in Love ao ex-beatle Ringo Starr, quando, na verdade, o autor é um ilustre desconhecido, chamado Randy Starr. Como seu primeiro nome costuma aparecer abreviado nos créditos da canção (R. Starr), alguém concluiu: só pode ser o Ringo! E o erro começou a se repetir.

Starr compôs ou fez arranjos de outras 12 músicas de Elvis, todas utilizadas em seus filmes da década de 1960. Nenhuma, excetuando-se muito provavelmente Almost in Love, é digna de grandes recordações. Old MacDonald Had a Farm, canção tradicional adaptada por ele mesmo para o filme Canções e Confusões (Double Trouble, 1967) é tida como uma das piores, senão a pior gravação da carreira do cantor! Apesar disso, Ella Fitzgerald, Frank Sinatra e Nat King Cole também registraram a sua voz nessa letra infame.

O jornal Folha de S. Paulo entrou em contato com o próprio Bonfá, para uma matéria que lembrava os 20 anos da morte do Rei do Rock – e que foi publicada no dia 16 de agosto de 1997 –,na qual tentou esclarecer o fato. Mas, na época, o músico já tinha problemas de memória e foi ajudado na entrevista por sua esposa. Porém, dizem que quem teria feito o contato entre Elvis e Bonfá foi um dos mitos de Hollywood nas décadas de 1940 e 1950: a atriz Ava Gardner (ex-senhora Frank Sinatra)!

Ela teria dito a Bonfá que um garoto, no caso Elvis, o estava procurando para que musicasse uma letra, presente na trilha de um dos seus filmes. A citada matéria ainda destaca que Bonfá fez a música “de uma só tacada” e ainda acrescenta que os dois estiveram juntos no estúdio para a gravação, na qual o músico brasileiro entrou com o violão. Bem, não temos como avaliar se Ava Gardner, de alguma forma, teve participação nisso. Só podemos dizer que tal fato é pouco provável. Nenhuma biografia de Elvis ressalta um contato próximo entre ele e a atriz que, na época, já era uma veterana do cinema.

Mas outros pontos podem ser respondidos com maior precisão. Segundo nos informa o jornalista Luiz Nassif, a canção de Bonfá já existia, com o nome de Luar no Rio e foi composta para o álbum A Cena Brasileira, de 1966 – que nos EUA foi lançado com o título de The Brazilian Scene. E Nassif está absolutamente correto! A versão original, intitulada Moonlight in Rio, também pode ser ouvida no Youtube, e não deixa dúvida de se tratar da composição musicada de Almost in Love. De modo que se pode concluir, então, que a música não foi composta especialmente para Elvis!

Outro dado interessante é que Bonfá não consta da gravação dessa canção, pelo que nos informa Ernst Jorgensen em seu livro Elvis Presley: a vida na música, que traz a ficha completa (inclusive dos músicos) de todas as sessões de gravação do cantor. Porém, isso também não significa que ele não possa ter participado, até porque, a musicalidade da gravação está muito bem enquadrada nas características da Bossa Nova. Talvez o violão tivesse sido gravado à parte e depois mixado na edição final, o que denotaria hipoteticamente que Elvis e Bonfá jamais tenham se encontrado. No entanto, o que de fato importa é que a gravação Almost in Love ainda rendeu o título de um álbum de Elvis, lançado em 1970.

Além disso, é preciso recordar que o catálogo de composições às quais o Rei do Rock tinha disponibilidade era o da Editora Hill & Range, que estabeleceu um contrato de exclusividade com o cantor, que se estendeu do início da sua carreira até a década de 1970. Portanto, Elvis não tinha flexibilidade para a escolha de seu repertório, um dos fatores responsáveis por algumas das limitações impostas à sua carreira, na opinião de seus biógrafos e críticos musicais. Possivelmente, Randy Starr fez a letra sobre a canção já pronta, a serviço da Hill & Range. De qualquer forma, a questão referente ao fato de como Elvis chegou até Bonfá ainda necessita ser mais bem esclarecida!

 

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SERGIO MENDES E ELVIS

O músico, maestro e arranjador Sergio Mendes é outro brasileiro a ter o seu nome associado ao Rei do Rock.  Ele, Elvis e o cantor Paul Anka estiveram no Las Vegas Hilton Hotel, no dia 5 de agosto de 1972 – a exatidão desse fato se deu por meio de outra foto, tirada no mesmo lugar, onde aparece o engenheiro de som Bill Porter, Elvis e Paul Anka que, por sua vez, presenteou Elvis com um relógio novo (na imagem), que tem indicações transcritas no verso. O motivo do encontro segue um mistério que talvez somente o próprio Sergio Mendes possa responder. Ao que parece, era uma festa que adentrou a madrugada e que teria contado com a presença de outras figuras famosas, como o cantor inglês Tom Jones, amigo de Elvis.

O certo é que naqueles dias, o Rei do Rock realizava uma temporada no Las Vegas Hilton. Registros dos shows do cantor indicam que ele teve compromissos no hotel todos os dias naquele mês: um show por dia, sempre ao jantar talvez, ele tenha sido o artista que mais trabalhou na história do show businnes, o que poderia explicar a exaustão física evidente pouco antes de sua morte.

SIM, ELVIS MORREU!

Um brasileiro tem condições de afirmar definitivamente: Elvis realmente morreu! Isso apesar do festival de boatarias que insiste em dizer o contrário, mas que é uma excelente estratégia de marketing para manter o nome do cantor na mídia 40 anos depois de sua morte.

No dia 16 de agosto de 1977, o doutor Raul Lamim, médico patologista e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em Minas Gerais, encontrava-se em Memphis, onde fazia residência médica no Baptist Memorial Hospital e preparava a sua dissertação de mestrado. Por volta das 16 horas, foi chamado para fazer uma autópsia muito importante. Quando lhe disseram de quem era o corpo, ele pensou tratar-se de uma brincadeira, mas não era. Ele realmente deveria ajudar a autopsiar Elvis! E cumpriu, com dor, o seu dever.

Durante muitos anos, Lamim evitou falar sobre o assunto. Apenas bem recentemente concedeu entrevistas e abordou o tema. Nada que já não fosse sabido: Elvis tomou remédios (estimulantes) durante anos para poder enfrentar uma carregada agenda de shows. Além disso, alimentava-se muito mal, estava com sobrepeso adquirido de forma muito rápida e acabou morrendo de insuficiência respiratória, depois de cair no banheiro de sua casa, naquele mesmo dia. Viciado em drogas? Não as drogas convencionais mais conhecidas, como maconha, cocaína, heroína etc. Mas, considerando que as medicações também são drogas e que seu uso excessivo pode causar dependência química, então, fica tudo na mesma, tanto que o médico particular de Elvis foi investigado por receitar remédios em excesso, inclusive para outros pacientes.

Lamim, hoje com 69 anos, é um profissional com um imenso currículo, que não usou o fato para adquirir popularidade ou ficar marcado como o doutor que examinou Elvis. Da mesma forma que os outros brasileiros que estiveram com o grande astro do Rock’n’Roll, ele é um profissional reconhecido em sua área, assim como foram Dulce Damasceno de Brito, Leny Eversong, Luiz Bonfá e Sergio Mendes. Não foi o simples acaso que levou a participação de nossos compatriotas na trajetória daquele que ficou conhecido como o “Rei do Rock’n’Roll”. Todos eles estavam nos lugares onde, de fato, deveriam e mereciam estar…

A relação de Elvis Presley com o Brasil foi marcada por muitos personagens. Entre outros, em 1956, ele se encontrou com uma jornalista brasileira, logo no seu primeiro ano de sucesso. O nome dela era Dulce Damasceno de Brito (1926-2008), correspondente dos Diários Associados e da revista O Cruzeiro, em Hollywood. Dulce também fez entrevistas com astros da época de ouro do cinema norte-americano: Marlon Brando, Marylin Monroe, John Wayne, Burt Lancaster, Rock Hudson, Marlene Dietrich, Clark Gable, Bete Davis, Gregory Peck, Charlton Heston, Orson Welles… Seria mais fácil citar quem ela não entrevistou. Ah! E Carmen Miranda? Dulce também esteve na casa dela na mesma noite em que a cantora faleceu. E, com um detalhe, a máquina fotográfica foi testemunha de tudo! Portanto, com Elvis Presley não foi diferente.

Aquele que já estava sendo chamado de “O Rei do Rock’n Roll” debutava no cinema em uma produção da 20th. Century Fox, Ama-me com Ternura (Love Me Tender), cujo título original seria The Reno Brothers. Na verdade, uma improvisação conseguida pelo seu ardiloso empresário, o Coronel Tom Parker (nos EUA também existiam esses “coronéis civis”…), para encaixar o seu pupilo em Hollywood, em uma produção que já estava programada – um western, quase um filme B. Não era o que o próprio Elvis desejava, porque, pouco antes, ele mesmo havia anunciado que faria a sua estreia em uma grande produção ao lado da renomada atriz Katherine Hepburn. O que acabou não acontecendo.

Naquela época, Elvis imaginava que o rock era uma moda passageira e que o seu futuro seria no cinema. Mas, como todos sabem, ele não se destacou no quesito interpretação, porém também não fez feio para um rapaz de origem pobre, do atrasado meio-oeste americano, mais precisamente o Tennessee, um estado conservador, sem nenhuma experiência de interpretação, nem mesmo no teatro da escola. Foram 30 filmes no total e dois documentários de seus shows, que devem ser vistos como se fizessem parte de um seriado, pois, em termos práticos, ele interpretava um só personagem: Elvis Presley.

Em algumas dessas produções, os números musicais foram mais bem montados ou, então, Elvis encontrou uma parceira à sua altura, que sabia cantar e dançar. Foi exatamente o caso da sueca Ann-Margret, com quem contracenou em Viva Las Vegas (1963). Aliás, nos sets de filmagens aconteceram coisas mais sérias entre os dois, do que decorar o roteiro fraco e de poucas falas…