Intervenção no RJ: qual o real propósito?

Qual o real interesse da intervenção no Rio de Janeiro? A cidade será a mesma quando a ação terminar? Não se fala em mexer na estrutura e, em ano de eleição, o Planalto está atento às pesquisas eleitorais e já se fala em reeleição, que garantiria a continuidade do foro especial... são várias conjecturas e a segurança do povo é apenas um mero detalhe

Por Antonio Siqueira* | Adaptação web Tayla Carolina

Política ou segurança? Quais são os planos dos ideólogos da intervenção? O povo, a julgar por operações semelhantes, está fora dos planos, cujas necessidades submergem em Brasília há décadas, em uma corrupção sistêmica e patológica.

No patamar ao qual chegou o poder de ação do crime organizado no Estado do Rio de Janeiro e, principalmente, na capital da federação, a repressão não conta com outra tática que não o enfrentamento direto. Do qual, pelo que se conhece, o esperável está em duas hipóteses: ou mortes a granel ou resultados muito aquém do desejado (e necessário).

É sintoma, é ação necessária, mas não é, nem de longe, a solução. O verdadeiro mal, se quiser lhe dar um nome, se chama “cadeia produtiva da insegurança pública”.

Ela é imensa, extensa e vem sendo caprichosamente desenvolvida ao longo dos anos e que precisa ser enfrentada em toda sua extensão, pois não se chega a essa situação sem muito investimento, sem muita dedicação ao projeto de enfraquecer a cultura da defesa da ordem e sem desarticular a cadeia produtiva da segurança pública.

Não se chega ao arremedo de legislação, persecução e execução penal existentes sem muita doutrinação no ambiente acadêmico e, em especial, sem infiltração ideológica nos cursos de Direito. Soltar bandidos com um sexto da pena cumprida? Semiaberto sem nenhum controle? Presídios entregues às facções?

Não se chega ao caos sem que a ideologia desse mesmo caos alcance os parlamentos, o Poder Judiciário, o Ministério Público e o conjunto dos formadores de opinião, que se multiplica por osmose e em precavida posição remota os “auditores” da ação policial, as carpideiras de bandidos.

O cidadão tem medo de sair de casa e os defensores dos fora da lei proclamam que “temos presos em excesso!”. A primeira ocorrência deixaria o Exército sob repulsa interna e externa, com possíveis consequências internacionais para o país.

A segunda ocorrência será a derrota, que é o inferno dos militares – e não será menos do que isso para o Exército. A única novidade da intervenção é que ela foi feita em cima das pernas. Nada foi estudado da situação atual, que já difere da vigente há um mês, nem discutido sobre um modo de agir diferente dos poucos ou malsucedidos de até agora.

*Antonio Siqueira é músico, poeta, escritor, articulista, blogueiro, tecnólogo e colaborador de blogues, jornais, revistas e sites de informação.

 

Para ler esse texto na íntegra, compre a revista Leituras da História – Ed. 113