O que é a raça pura do governo nazista?

Introduzido na Alemanha nazista no final de 1935, o Projeto Lebensborn apresentava ser apenas uma instituição de assistência

Por Morgana Gomes | Adaptação web Renê Saba

Embora inaugurado oficialmente em 12 de dezembro de 1935, em Munique, o Projeto Lebensborn, cuja tradução é Fonte da Vida, só passou a ter o primeiro lar em 1936, em Steinhöring, vilarejo próximo à cidade alemã mencionada. À primeira vista, a iniciativa era apenas um programa de apoio às mulheres grávidas, que atendia tanto as esposas de oficiais da Schutzstaffel (SS) quanto às mães solteiras, que poderiam dar à luz secretamente, longe de suas próprias casas, sem o estigma social acarretado a elas na época. Consequentemente, tais lares também funcionavam como orfanatos e sedes de um  programa de encaminhamento de órfãos. No entanto, desde o início, tal projeto de pseudoassistência social já objetivava combater o declínio demográfico da população germano-ariana, uma vez que impunha restrições racistas para admitir as beneficiadas, pois somente dava abrigo a mulheres e crianças biologicamente adequadas, o que significava ser, de acordo com os padrões nazistas, da chamada raça ariana.

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Tal fato comprovou-se em 13 de setembro de 1936,  data em que Heinrich Himmler, em comunicado escrito, deixou claro que a organização do projeto estaria sob sua direção pessoal e teria a obrigação de atender os líderes da SS na seleção e adoção de crianças qualificadas. Para tanto, caberia aos lares amparar famílias racial, biológica e hereditariamente valiosas e com muitos filhos; mães solteiras com as mesmas características; além de mulheres que, após exame minucioso de suas famílias pelo Escritório Central de Corrida e Assentamento da SS, também pudessem produzir
crianças racialmente puras. A partir daí, caso as mães quisessem desistir dos filhos, o programa também contava com serviços de adoção.

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Entre 1935 e 1939, os lares Lebensborn ficaram restritos à Alemanha nazista, que chegou a operar dez deles. Mas como Himmler visava produzir muitos arianos puros e educá-los convenientemente no menor espaço de tempo possível, com a chegada da 2ª Guerra Mundial, o projeto se multiplicou por outros países europeus, acompanhando o movimento dos homens da SS, que seguiam as forças armadas alemãs e eram encorajados a ignorar a própria família, somente para procriar com parceiras arianas, com ou sem o consentimento delas. Nessa época, a Áustria teve três lares Lebensborn; a Polônia de sete a oito; e a Noruega, nove. Já a França, Bélgica, Holanda e Luxemburgo, tiveram um cada. A maioria desses locais ainda acumulava a função de recinto clandestino de copulação entre homens e mulheres racialmente puros, que deveriam gerar crianças que seriam criadas e educadas pelo Estado alemão, que intencionava se transformar em um núcleo da raça ariana.

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Em decorrência dessa pretensão, muitas mulheres consideradas puras, 70% das quais não eram casadas, foram recrutadas para atuarem no programa Lebensborn, com a obrigação de engravidarem e expandirem honrosamente a nação germânica. Mas, por livre vontade, se uma mulher qualquer expressasse o mesmo desejo, bastava provar sua origem ariana para ser admitida. Contudo, apenas 40% daqueles que solicitavam a adesão passavam no teste de pureza racial. Por sua vez, enquanto as mulheres já grávidas começavam a ser denominadas de mães da pátria, condição que lhes conferia respeito e condecorações pelos serviços prestados, outras com menos sorte eram apenas usadas para a diversão sexual dos oficiais da SS, pois o abuso sexual era uma política quase que oficial no Terceiro Reich.

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