Mao Tsé-tung e a Revolução Chinesa

A partir de 16 de maio de 1966, Mao Tsé-tung lançou uma sangrenta campanha que exterminou opositores e intelectuais considerados inimigos do regime comunista, fato que deu início à chamada Grande Revolução Cultural Proletária

Por Aliel Paione* | Adaptação web Tayla Carolina

Não é possível dissociar a revolução cultural chinesa da figura contundente de Mao Tsé-tung, o fundador da China moderna – e o contexto histórico-social em que ele apareceu. Mao nasceu na província de Hunan, na região central do país, em 26 de dezembro de 1893.

Ele pertencia a uma família de camponeses que vivia em um vale chamado Shaoshan. Seus ancestrais ali residiam havia 500 anos. O vale era pequeno, habitado por cerca de 600 famílias que plantavam arroz, chá e bambus e utilizavam búfalos para lavrar os arrozais. Viviam disso.

O pai de Mao chamava-se Yi-chang. Aos 10 anos, Yi-chang ficou noivo de uma menina de 13, que não recebera nome, mas como descendia do clã Wen, era conhecida como a Sétima Irmã Wen. Aos 18 anos, a Sétima Irmã mudou-se para a casa da família de seu futuro marido e casou-se com ele em 1885, quando Yi-chang tinha 15 anos.

Mao foi o terceiro filho, mas o primeiro a sobreviver. Sua mãe, budista, tornou-se ainda mais devota, pedindo que Buda o protegesse. Mao recebeu o nome duplo Tsé-tung. Tsé significa “brilhar sobre”, nome dado a todos seus ascendentes, predeterminado quando a história do clã foi escrita inicialmente no século 18.

Por sua vez, tung significa “o leste”. Assim seu nome completo denota “brilhar sobre o leste”. Isso refletia o desejo camponês de que seus filhos estudassem e passassem nos exames imperiais, realizados nas grandes cidades do leste: Nanquim, Xangai, Pequim e Cantão.

Tornar-se-iam, então, mandarins e ministros no império. Desde a infância, Mao tinha uma memória prodigiosa, era inteligentíssimo, adquiriu o hábito de ler compulsivamente e o fez durante toda a sua vida. Contam que lia durante a madrugada com uma lamparina sobre um banco.

Ao final da vida, dormia em uma cama imensa, a metade dela abarrotada de livros. Ele também gostava de compor poemas e de escrever em prosa. Sua mãe o adorava e ela foi a única pessoa a quem Mao realmente amou com ternura. Dela herdou seu rosto redondo e a suavidade do olhar.

Contudo, teve uma relação conflituosa com seu pai, Yi-chang. Dizia que o detestava. Até os 8 anos, Mao viveu na casa de sua avó materna, mas retornou ao vale de Shaoshan para começar seus estudos, que eram feitos em escolas sob a orientação de tutores. Porém, ele sempre entrava em desentendimentos com seus mestres por ser teimoso e desobediente.

Foi expulso de três escolas, devido ao seu temperamento rebelde. Após ser banido pelo quarto tutor, seu pai deixou de lhe pagar os estudos e Mao tornou-se camponês em tempo integral. Porém, logo arrumou um jeito para retornar ao mundo dos livros, que tanto amava.

 

*Aliel Paione é engenheiro, Mestre em Ciências e Técnicas Nucleares pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – onde trabalhou no mesmo departamento. É professor de Física na PUC-Minas. Como escritor, acaba de lançar a obra Sol e Sonhos em Copacabana, romance histórico ficcional.

 

Para ler esse texto na íntegra, compre a revista Leituras da História – Ed. 113