II Guerra Mundial: A Guerra no Pacífico

Do ataque-surpresa a Pearl Harbor ao lançamento das duas bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, a guerra no Pacífico foi travada com ferrenha determinação pelos dois lados. Embora a expansão japonesa tenha sido rapidamente interrompida na batalha de Midway, seriam anos de dura luta antes que os exércitos do imperador Hirohito fossem derrotados

Por David Jordan e Andrew Wiest | Adaptação web Tayla Carolina

As origens da ‘Operação Havaí’, como a ação em Pearl Harbor era chamada, estão na complexa situação internacional em que a Ásia se encontrava durante os anos 1930 e no papel do Japão nesse cenário.

Ao final da I Guerra Mundial, o Japão esperava ser favorecido pelos acordos de paz que retiraram colônias da Alemanha em benefício dos Aliados vitoriosos. Essas aspirações não foram concretizadas, o que causou considerável indignação no país, particularmente entre as forças armadas ultranacionalistas.

As forças armadas detinham grande influência no poder político japonês — algo que era garantido pela constituição do país —, e, em 1931, o Exército Japonês invadiu e conquistou a província da Manchúria sem consultar o governo em Tóquio.

A ação causou repulsa internacional, e o Japão respondeu às críticas deixando a Liga das Nações e aumentando seu programa de armamento. A tensão entre o Japão e a China aumentou e levou ao início da luta armada em 1937. Os japoneses contabilizaram ganhos e, diante da queda da França para os nazistas, voltaram suas atenções para a Indochina, pressionando as autoridades locais para impedir que abastecimentos chegassem ao país.

O governo colonial francês se recusou a aceitar o pedido, o que levou o Japão a partir para a ocupação da Indochina em setembro de 1940. Em resposta, a Inglaterra, os EUA e a Holanda impuseram sanções (o governo exilado holandês agindo em relação às Índias Orientais Holandesas), o que afetou cerca de três quartos do comércio japonês e 90% do suprimento de petróleo do país.

Restavam para o Japão duas opções: buscar acordos para a suspensão das sanções ou ir à guerra antes que seus recursos acabassem. Com o governo militar e nacionalista militante liderado pelo general Tojo no poder, a primeira hipótese não foi sequer considerada.

Planejamento japonês

Durante o planejamento para a guerra, ficou claro que a maior ameaça para o Japão era a esquadra norte-americana. Por isso, foi decidido que o primeiro passo seria um ataque aéreo partindo de porta-aviões contra o ancoradouro americano no Pacífico, em Pearl Harbor.

Os japoneses, bastante influenciados pelas conexões com a Marinha Real Inglesa, tinham investido bastante em artilharia aérea. O espetacular sucesso em 1940 do ataque dos porta-aviões da marinha inglesa contra a esquadra italiana em Táranto convenceu os japoneses de que uma ação semelhante contra os norte-americanos poderia dar certo, acabando com a habilidade do inimigo de retaliação.

O almirante Yamamoto conduziu cuidadosamente o planejamento durante 1941, até chegar ao formato final do esquema de operações.Seis porta-aviões seriam usados para o ataque, levando mais de 400 aeronaves. Depois
de treinamento intensivo, a força de ataque se reuniu em um ancoradouro isolado nas ilhas Kurile em 22 de novembro de 1941.

Foram quatro dias de preparação antes de os soldados partirem, seguindo por uma rota sinuosa para evitar sua identificação. De todos os pontos do arquipélago, submarinos japoneses rumavam para o Havaí independentemente, com o objetivo de fornecer dados de inteligência e de atacar os alvos ancorados, se possível.

Enquanto a frota se preparava para assumir posição, os diplomatas japoneses conduziam negociações com os americanos: a ideia era que, quando as negociações fracassassem, o Japão desse um ultimato, seguido pelo ataque.

O objetivo de manter pelo menos alguma legitimidade diplomática seria frustrado, pois o embaixador japonês não conseguiu entregar o ultimato a tempo. Enquanto ele esperava para fazê-lo, a primeira onda de ataque aéreo já estava a caminho, e o Japão estava prestes a ir à guerra.

 

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