Entrevista com Virgílio Pedro Rigonatti sobre os Anos 60

Período de grandes transformações sociais, políticas, econômicas e comportamentais que já foi enfocado de várias maneiras. Mas tudo ganhou uma nova dimensão quando a maturidade de quem viveu esses dias permitiu um novo olhar sobre os detalhes dos episódios ocorridos. Tudo se ampliou, o que favoreceu novas reflexões sobre fatos que, muitas vezes, conhecemos por meio de leituras ou documentários

Por Morgana Gomes | Adaptação web Tayla Carolina

A década de 1960 pode ser dividida em duas etapas. A primeira, de 1960 a 1965, foi marcada tanto pela inocência quanto por certo lirismo ideológico, alimentados por jovens que reivindicavam mais igualdade.

Já a segunda, que vai de 1966 a 1968, trouxe, entre outros aspectos, a revolução sexual e os protestos juvenis contra a ameaça de endurecimento dos governos, em pleno período da chamada Guerra Fria – protagonizada pelos Estados Unidos, país capitalista; e a então União Soviética, representante do comunismo.

Em meio a esse contexto, a ideologia tomou forma por meio de movimentos de esquerda que, aqui no Brasil, revoltaram-se contra a ditadura já implantada. Todos esses temas que sempre foram debatidos, agora ganham um romance, escrito por Virgílio Pedro Rigonatti, um paulistano que viveu o período e, aos 60 anos, assumiu o alter ego de uma personagem feminina para retratá-los a partir de um novo prisma, mais leve, porém, não menos real que a própria História.

Leituras da História – Como o senhor definiria a esquerda e a direita nos anos de 1960?

Virgílio Pedro Rigonatti – Na década de 1960, predominava o antagonismo capitalismo versus comunismo no mundo todo. Fruto da divisão no final da II Guerra Mundial, em 1945, Estados Unidos e Rússia dominavam amplos territórios, tentavam se estabelecer em novas regiões, exercer influência em vários países, além de procurar trazer para suas zonas de controle os governos dominados pelo adversário.

No Brasil, a esquerda era constituída pelos simpatizantes do comunismo, em geral ligados à União Soviética e uma parte à China de Mao Tse Tsung. Já a direita era composta por conservadores e reacionários alinhados aos americanos.

LH – Atualmente, essa divisão política ainda existe no Brasil?

Rigonatti – Com o fim do Império Russo e o pragmatismo dos governos pós Mao, a esquerda não é mais caracterizada como comunista. Há partidos e simpatizantes que ainda pregam, anacronicamente, o comunismo, mas são minoria.

São rotulados de esquerda, aqueles que se dizem defensores radicais de conquistas sociais e de um governo forte, como a única maneira de impor a vontade do povo. Por outro lado, são ditos de direita aqueles que propugnam pela volta dos militares ao poder, pregando um governo ditatorial, condição única para acabar com o caos político e social.

LH – No passado recente, o que movia os jovens em direção às ideologias?

Rigonatti – O que empolgava os jovens era o sentimento de mudança e a revolução dos costumes. Convictos que uma Terceira Guerra Mundial eclodiria a qualquer momento, pois os conflitos, historicamente, sempre foram resolvidos pela guerra, os Baby Boomers se inquietaram e começaram a contestar a velha geração.

Inicialmente, pela música, tanto que assim nasceu o Rock and roll, considerado pelos conservadores como obra do diabo. Depois, pela ousadia de sair às ruas e se manifestar contra os governantes e também contra a guerra. Como um rastilho, os protestos dos jovens estudantes se espalharam por todas as grandes cidades ocidentais, coroando com “As Barricadas de Paris” em 1968.

 

Para ler esse texto na íntegra, compre a revista Leituras da História – Ed. 113