Amante ou assassina? Saiba quem foi Ilona Marita Lorenz

Marita recebeu de Fidel Castro o apelido de Alemanita, hoje uma mulher de 79 anos, é repleta de altos e baixos, de lacunas e fatos obscuros

Por Morgana Gomes | Adaptação web Renê Saba

Filha não biológica do alemão Heinrich Lorenz, capitão de navio comercial marítimo, e da norte-americana Alice June, atriz e dançarina que se apresentava sob o nome artístico de June Paget, a intrigante personagem que destacamos nasceu em 18 de agosto de 1939, em Bremen, cidade-estado ao norte da Alemanha, data em que também se iniciaram suas aventuras. Segundo o que ela mesma conta, quando sua mãe chegou ao hospital, deveria ter dado à luz gêmeas. Mas enquanto um oficial da Schutzstaffel (esquadrilha de proteção nazista mais conhecida pela sigla SS) a repreendia por ter levado a gravidez resultante de uma relação com um médico judeu até o fim, o cão da raça pastor alemão que o acompanhava, a atacou. Em consequência, uma das meninas, que deveria ser chamada de Ilona, nasceu morta. Inconformados com a perda, para homenagear a pequena falecida, os pais decidiram acrescentar o nome que deveria ser dado a ela ao da sobrevivente que, desde então, tornou-se conhecida como Ilona Marita Lorenz.

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A partir daí, a menina poderia ter tido uma infância normal, se é que isso é possível em tempos de guerra, mas para complicar ainda mais sua vida, pouco antes de Hitler invadir a Polônia, em 1º de setembro de 1939, sua mãe foi acusada de ajudar trabalhadores que prestavam serviços forçados em Bremen a escapar. Em consequência, quando completou 5 anos, Marita e seus pais foram encarcerados no campo de concentração de Bergen-Belsen. Por lá, ficaram até 15 de abril de 1945, data em que os britânicos invadiram o local e liberaram os prisioneiros. Ela ainda relembra que, na ocasião, foi encontrada cheia de piolhos, vermes, hematomas e com menos de 20 quilos, escondida sob uma cama de madeira.

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Meses depois, já recuperada, o pesadelo que vivenciara poderia ter chegado ao fim, mas um dia depois do Natal de 1946, quando tinha somente 7 anos, um sargento norte-americano que ainda estava na Alemanha a estuprou. Logo depois desse trauma, sua família decidiu mudar-se para os Estados Unidos, momento em que se dá uma lacuna na história da nossa personagem, que só voltou a ser preenchida quando ela já estava na adolescência, época em que começou a acompanhar o pai, dono do navio MS Berlin, em suas viagens.

DESEMBARQUE EM HAVANA

Em 1959, semanas após o fim da Revolução Cubana, o MS Berlim, com Heinrich e a filha Marita, de 19 anos, a bordo, aportou na ilha e foi abordado por um grupo de oficiais, comandados pelo próprio Fidel Castro, que tinha 33 anos. A visita à embarcação transcorreu de forma demorada e repleta de olhares mútuos entre o líder de Cuba e a moça, que se apaixonou de imediato, apesar da diferença de idade entre ela e o comandante. Mesmo assim, Marita retornou a Nova Iorque. Porém, dias depois, Fidel lhe telefonou e perguntou se queria passar um tempo com ele. Sem pensar, ela disse que sim e sem avisar a família embarcou na aventura. Segundo o que conta, um avião decolou de Cuba para buscá-la. Ao chegar a Havana, Fidel, que era casado, a instalou no hotel Havana Hilton. A partir daí, Marita viveu por vários meses como amante dele, época em que passou a ser chamada carinhosamente de Alemanita.

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O relacionamento que aparentemente poderia ter durado bastante tempo, terminou com a gravidez que Marita teve. Segundo propagou inicialmente, ela queria o bebê, mas aos 7 meses de
gestação foi drogada e forçada ao aborto, versão desmentida pelos assistentes de Fidel, que sempre disseram que a moça desejava se livrar da criança. Pouco depois desse episódio, desmentido posteriormente por ela mesma, Marita deixou Cuba para retornar aos Estados Unidos (EUA). Segundo o que conta, foi durante o período de convalescença ainda na ilha que ela travou contato com alguns homens do Gabinete Federal de Investigação (FBI) que, ao visitarem, contaram horrores sobre Fidel e, assim, ganharam sua confiança. Era o que faltava para que sua mãe, Alice June, que sempre fora colaboradora da contraespionagem americana, incentivar a filha tanto a voltar quanto se juntar aos ativistas anticastristas da Flórida.

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